Existir, atualmente, parece estar intimamente ligado à ser visto. Eu não existo, se o outro não me enxerga. Eu não me aceito, se o outro não...

Quem nós somos, quando estamos offline?

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Existir, atualmente, parece estar intimamente ligado à ser visto. Eu não existo, se o outro não me enxerga. Eu não me aceito, se o outro não me aceita. Essas parecem ser as nossas necessidades atuais. As redes sociais costumam servir de outdoor. É obrigatório estar sempre belo, feliz e bem-sucedido. A pseudo-vitrine da vida não admite o imperfeito, tampouco o infeliz. Quem nós somos, quando estamos offline? Que tipo de felicidade é que a nos sustenta? Por quanto tempo alguém conseguiria estampar um sorriso inexistente? Esses são os questionamentos que giram em torno da crescente e opressora necessidade de aceitação. Não se pode contrariar, tampouco deixar de ser visto. As nossas ideias passam a ter validade a partir de apreciação alheia. A nossa autoestima parece estar intimamente ligada à quantidade de likes que uma foto registra. O nosso paladar parece se aprimorar, à medida que postamos uma foto do que comemos. É preciso conectar-se e, mais do que isso, é preciso que o outro se conecte ao que eu penso e posto. Precisamos mostrar que somos, mesmo que nem estejamos seguros disto. Precisamos debater os mais diversos assuntos, mesmo que eles não nos mobilizem. Precisamos calçar sapatos que não nos servem e vestir máscaras que nos camuflam de nós mesmos. Afinal, quem se arrisca a ser de verdade, em um mundo de aparências? Que tipo de exigências e padrões precisamos acatar, em nome de uma boa imagem, nas redes sociais? Que roupas devemos vestir e como devemos nos relacionar? Quanto tempo você "sobrevive", sem estar conectado? Quem você é, longe das redes sociais? Quantos likes são necessários para te fazer feliz?  O que sustenta a tua aceitação? Reflita!

(Marílya Caroline)


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